Mindful eating pode parecer um conceito estranho para quem nunca ouviu falar de mindfulness, e muito menos na alimentação, mas de forma simples trata-se somente de “comer com atenção plena”.
Isto é, ter uma alimentação saudável, respeitar os sinais internos do corpo, apreciar o momento presente e ter total consciência do poder da mastigação, sabor e textura dos alimentos, ou seja, tornar a alimentação um processo consciente.
A agitação do dia a dia, uma rotina sem horários e a falta de planeamento levam ao consumo de alimentos simplesmente por estarem disponíveis e de fácil acesso: eventos sociais, máquinas de vending machine, expositores (…) ou mesmo com o que compras e levas para dentro de casa.
Para além disso, o estado emocional (ansiedade, stress, solidão…) exerce um poder determinante nessas mesmas escolhas (Ver artigo – Saúde mental: o papel da alimentação), sendo por vezes usada a alimentação como um escape a alguma emoção. Acontecendo geralmente quando ainda não estás disposto a lidar com as emoções nem atento ao ato de comer.
Estar desatento ao momento alimentar, significa comer e realizar várias atividades em simultâneo – como ver televisão, ler, utilizar o telemóvel, conversar, trabalhar – e, desta forma, a outra atividade tem um papel de maior importância do que a própria refeição. Levando a que não te apercebas dos sinais de saciedade e, como consequência, aumentes a tua ingestão alimentar, com impacto no teu peso e na tua condição de saúde.
Estar atento somente aos alimentos vai permitir identificar sinais fisiológicos do corpo e parar de comer quando estás satisfeito, prolongando ainda a tua saciedade durante mais tempo.
Para isso, comer sem distrações e sentado, mastigar calmamente, realizar a refeição com pausas com o objetivo de saborear o alimento é essencial para que não chegues ao final da refeição sem te dares conta do sabor da comida e do quão satisfeito ficaste com o que comeste.
Importa salientar que para quem treina, pelas necessidades energéticas acrescidas, por vezes existe um apetite aumentado, e a mastigação acelerada pode ter um papel importante no alcance dos objetivos. Uma vez que a síntese proteica muscular está dependente não só da ingestão proteica, como da sua qualidade e velocidade de absorção. O ato de mastigar calmamente ajuda significativamente na digestão da proteína facilitando a sua absorção.
Como vês, muitas são as razões para tornar a tua alimentação consciente. Parece daquelas recomendações banais e do conhecimento comum, mas que por tantas vezes é esquecida. E são os pequenos passos diários que permitem chegar a grandes resultados.
Mindful eating: como começar
- Presta atenção à escolha alimentar: durante o dia realizas cerca de 200 decisões alimentares e na grande maioria das vezes, essas decisões ocorrem de forma automática.
- Faz as refeições sentado.
- Aproveita todas as sensações no ato de comer: cheiro, aparência e textura.
- Leva os alimentos à boca devagar e mastiga com toda a calma.
- Evita distrações: desliga a televisão e não uses aparelhos eletrónicos.
- Observa e sente o teu corpo: presta atenção aos sinais fisiológicos antes e depois de comer.
Põe em prática estas mudanças e terás melhorias impactantes não só na tua composição corporal, mas no teu bem-estar em geral.
Inman JJ. The role of sensory-specific satiety in attribute-level variety seeking. J Consum Res. 2001,28:105-20.
Kabat-Zinn J. Full catastrophe living: using the wisdom of your body to face stress, pain, and illness. New York: Delta, 1990.
Kahn BE, Wansink B. The influence of assortment structure on perceived variety and consumption quantities. J Consum Res. 2004,30:519-33.
Nutrição Comportamental – Alvarenga M, Antonaccio C, Figueiredo M, Timerman F. (orgs.) – 2018 (2ª edição) Manole.
Rolls BJ, Morris EL, Roe L. Portion size of food affects energy intake in normal-weight and overweight men and women. Am J Clin Nutri. 2002,76:1207-13.
Tribole E, Resch E. Intuitive eating – A revolutionary program that works. New York: St. Martin´s Griffin, 2012.
Warren JM, Smith N, Ashwell M. A structured literature review on the role of mindfulness, mindful eating and intuitive eating in changing eating behaviours: effectiveness and associated potential mechanisms. Nutr Red Rev. 2017,30:272-83.



